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Os anais do Confibercom 2001 já estão disponíveis on-line (ISBN: 978-85-64594-02-9). Clique aqui para visualizar os papers completos apresentados nas 16 Sessões Temáticas do Congresso.

Painel de abertura do Confibercom 2011 discute sistemas iberoamericanos de comunicação

01/08/2011

Painel 1: Sistemas Iberoamericanos de Comunicação. 01/08 - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP

A manhã do dia 1 de agosto recebeu o painel de abertura do Confibercom 2011, realizado no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, na Cidade Universitária.

Abrindo o painel de abertura "Sistemas Iberoamericanos de Comunicação", Anita Simis (UNESP-Araraquara) apresentou-se com uma proposta efetiva associada à comunicação e à digitalização. Para Simis, o momento propício de presença de representantes da América Latina foi inspirador para a apresentação de sua proposta, que referenciou na globalização a atuação da Comunicação enquanto presente em uma papel inequívoco. "Há ainda um percurso inexplorado a ser percorrido há um entrave com os países da América latina e precisamos conhecê-los mais", disse.

A sugestão da pesquisadora foi direcionada à necessidade de fortalecimento da diversidade cultural com necessidade de um intercambio de conhecimento das culturas desses diversos países, o que poderia utilizar como instrumentos a constituição de um observatório latinoamericano com dados e articulação metodológica "Já temos alguns observatórios ligados à cultura, ao audiovisual, à comunicação, mas há necessidade de unificar mais os dados e comprometimento com metodologia", afirmou.

Simis ainda propôs que os indicadores não podem se limitar a somente expor os dados, mas devem analisá-los, para que assim o objetivo principal seja "identificar os pontos e entrave à produção, divulgação, e distribuição dos conteúdos latinoamericanos, facilitando a implementação de redes". Simis ainda discutiu a produção de conteúdo sobre o tema, como um anuário com dados primários oficiais, pesquisas e o cruzamento desses dados.

Dando sequencia ao painel do primeiro dia do Confibercom, Bernando Diaz Nosty, da Universidade de Málaga, da Espanha, trouxe a análise de cenários midiáticos, lembrou que os jovens estão cada vez mais habilitados às tecnologias e propôs que o sistema latino-americano seja visto de um ponto de vista ecocultural.

Partindo então para o que chamou de constatações, Nosty demonstrou a ausência de estudos sobre o tema, a necessidade de se obter uma radiografia regional, com a eleboração de um mapa dos sistemas de mídia da latinoamerica e o estabelecimento de uma cultura em rede. "Estamos criando um continente virtual novo e partimos da observação da complexidade existente entre os países da America latina, ampliada pela diversidade de todos os países", disse.

Painel 1: Sistemas Iberoamericanos de Comunicação. 01/08 - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP

Nosty para isso propôs que a pobreza não pode estar excluída dos sistemas de comunicação e que temos que trabalhar pelo "redescobrimento desse continente virtual". Como propostas finais, então, o pesquisador espanhol concluiu a realização de indicadores de desenvolvimento mediático, ferramentas para análise comparada e trabalhos em redes a partir de estratégicas iberoamercianas no âmbito acadêmico.

Terceiro nome a falar, Erick Torrico, da Universidade Andina, da Bolívia, realizou uma apresentação sobre o que chamou de "reconfiguração do campo midiático boliviano a partir da política", citando especificamente a eleição do presidente Evo Morales. Para o pesquisador a Bolívia passou por uma reorganização do campo midiático desde 2006, com uma troca muito importante na organização política, indicando a posse de um representante do povo indígena.

Realizando um histórico da trajetória democrática boliviana desde outubro de 1982, Torrico lembrou que "até momento da ditadura haviam diários nacionais e informação limitada. Depois da ditadura surgiram revistas variadas e publicações regionais" disse. "Havia uma relação intrínseca entre imprensa e política sendo que antes a imprensa era um instrumento do poder político", disse.

A respeito do tratamento dado pelo presidente Evo Morales à imprensa boliviana, desde a sua eleição, o pesquisador analisou que o governo começou com estratégia de confrontação, definindo o ambiente imprensa como bipolar: bons x ruins, críticas diretas por parte do presidente, comprou de modo indireto alguns veículos, regulação dos direitos midiáticos

O penúltimo a falar no painel foi Martin Becerra, da Universidade de Quilmes, Argentina, e trouxe uma discussão mais enfática e realizou uma análise da "estrutura dos meios na AM latina ante o desafio de novas regulações e digitalização". O pesquisador argentino iniciou sua apresentação com um referencial sobre as tendências históricas da região, que, segundo ele, assume algumas características gerais, como a inexistência de regulação, relações com poder muito próximas, setor altamente concentrado, setor centralizado geograficamente, pouca produção própria e muito do exterior.

Painel 1: Sistemas Iberoamericanos de Comunicação. 01/08 - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP

"Aqui se produz muito e muito conteúdo parecido", resumiu. A apresentação de Becerra seguiu um modelo estruturada e bastante didático, e sua fala tratou também de algumas transições identificadas. "Por um lado temos as mudanças sociais, com recuperação democrática, a tecnológica, com digitalização processos produtivos, a política, com a troca de modelo de intervenção regulatória, e a econômica, marcada pela consolidação de grandes grupos de comunicação. "é por isso que acredito na regulação da produção da imprensa, o que é muito diferente da da intervenção política, que não aprovo", disse.

Para Becerra o tema traz ainda outras discussões relevantes. é o caso dos desafios da convergência tecnológica, dos novos critérios de regulação, governo comunicador, emergência da sociedade civil. E, por outro lado, as "oportunidades de entender o Brasil como potência regional, diante de um novo modelo econômico e a oportunidade de ingresso de novos atores", finalizou.

A finalização do painel do primeiro dia do Confibercom 2011 coube ao pesquisador Pedro Braumann, responsável pela contribuição sobre a realidade portuguesa, contextualizada no mercado global para a abordagem da mudança do paradigma da mídia e oportunidades de um sistema multimídia. A apresentação foi fundamentada em dados estatísticos da evolução das tendências da presença da mídia no mundo, com a análise da evolução do mercado mundial de TV por tipo de financiamento, as receitas de TV, com predomínio do EUA e America latina com presença de 7,8%, a distribuição por plataformas dos lares com TV, os padrões de TV digital, penetração da tv digital por regiões. "Em 2010 quase 9.800 canais na Europa, distribuídos em diferentes plataformas de distribuição", disse. Sobre a distribuição por países, Braumann disse que países como Grã Bretanha, Espanha e Itália têm mais de 1000 canais e a Europa toda tem apenas 6,2% de canais internacionais.

Braumann também achou oportuno tratar em sua apresentação das tendências, e para isso discutiu o atual estágio da globalização, o novo mundo multipolar, a monetização de conteúdos, os novos modelos econômicos emergentes, a uniformização conteúdo e o excesso de informação. "Temos cada vez mais uma lógica convergência em diferentes formas e processos, o que significa que estamos em uma nova cadeia de valor e organizativa", afirmou. Finalizando sua apresentação o pesquisador português disse que as fronteiras não existem em termos físicos mas sim em termos de cultura e, citando José Marques de Melo, concluiu que é preciso retirar o pensamento crítico da oposição entre Estado e empresa privada.

Por Pedro Ulsen, mestrando do Programa de Ciências da Comunicação da ECA-USP.

Segundo dia do Confibercom 2011 discute reúne pesquisadores da diversidade cultural iberoamericana

02/08/2011

I Congresso Mundial de Comunicação Iberoamericana - 02/08 - Escola de Comunicações e Artes, USP

Dando continuidade ao Confibercom 2011, o painel "Diversidade Cultural Iberoamericana" foi realizado no dia 2 de agosto, e teve a mesa presidida por Maria Dora Mourão. A abertura do painel coube a Ana Maria Amada, da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires. A pesquisadora realizou uma apresentação mais filosófica, que envolveu também a análise de produções culturais. Falou sobre o repertório de sentidos e sobre a presença do abstrato nos cinemas.

Ana Maria tratou do conjunto das obras que procedimentos formais de cineastas quando tratam do diverso, analisou a produção da comunicação desses materiais, falou sobre o surgimento de novos significados e o ativismo simbólico. "O registro dos excluídos buscava um fac-símile da realidade decorrente da política neoliberal implantada nos anos 1990 e o paternalismo cultural crescente observado nas manifestações culturais", disse.

Ana Maria comentou ainda sobre alguns cineastas que integram um movimento que remete ao conjunto de práticas de integração social em processos de subjetivação, segundo ela filmes expressados na forma moderna de que expressam os pensamentos e os sentimentos por seus corpos. "A mensagem é que sua política é definida pela forma por que optam, recorte dos cenários, disposição corpos", disse, citando como exemplos o sentido opaco, corpos não totalmente presentes, somos variados.

Segunda a falar, Ana Cabrera, da Universidade Nova de Lisboa, substituiu Isabel Ferin, e abordou a história da comunicação e a comunicação política. A apresentação feita teve uma tendência de análise geopolítica, posicionado pela palestrantes no contexto da Europa pós crise 2008 é o lugar a partir do qual se faz a reflexão. Números da União Europeia foram citadas - 27 países 500 milhões de habitantes - e Anthonny Giddens foi citado para dizer aos presentes que é preciso desenhar novas políticas para uma Europa em crise de crescimento diante da nova desordem europeia.

Painel 2: Diversidade Cultural Ibero-americana, 02/08 - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP

"Um dos fatores que afeta é o domínio da economia norte-americano do mundo então é preciso que surjam renovadas e reconfiguradas relações políticas e econômicas", afirmou. Cabrera abordou ainda aspectos da migração portuguesa, falou da cultura do país como um mosaico, e a mídia no sistema de mundo lusófono.

A apresentação do painel do segundo dia do Confibercom 2011, realizada por José Márcio Barros, da PUC-MG chamou a atenção pelo conteúdo e foi muito aplaudida no final. Muito objetivo em sua fala, o pesquisador abordou diferentes temas, e estabeleceu interligações, entre a antropologia urbana e a comunicação, a gestão cultural, a diversidade cultura, a comunicação e cultura. Para Barros a diversidade cultural deve ser observada a partir do contexto iberoamericano, o que resulta em possibilidades efetivas de se pensar em comunicação e cultura em termos de iberoamerica. "é necessário no entanto um certo cuidado pois somos vinte e três países e é possível falar de 23 trajetórias históricas", disse. "No espaço iberoamericano tínhamos setenta línguas indígenas apenas no México, duzentas na América Central e cento e setenta diferentes línguas no Brasil", ponderou.

Barros ainda abordou outros aspectos sobre a região e lembrou de situações de desigualdade, pobreza, e corrupção existentes, fazendo com que o pesquisador brasileiro falasse que é preciso um projeto político, econômico e institucional que gerou tanta desigualdade e que no presente suscita tanta dúvida. "Temos uma situação heterogênea e complexa. Que mapa da iberoamericana cada um dos 23 países desenhariam?", perguntou.

Após fazer as ressalvas dos conflitos, diferenças, desigualdades e desconhecimentos entre os países iberoamericanos, Barros tratou do tema cultura do ponto de vista do direito, garantida a partir da articulação entre Estado e sociedade civil. "A política cultural depende de estratégias, visão de realidade e ação, que sejam articuladas, permanentes, com participação social e abrangência territorial", disse, antes de reforçar que "existe um consenso ingênuo em torno da diversidade cultural. Ela deve estar relacionada ao desenvolvimento humano, à qualidade de vida, e possibilidades de escolha", disse.

Painel 2: Diversidade Cultural Ibero-americana, 02/08 - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP

Em sua extensa apresentação Barros comentou ainda sobre a necessidade de atores da sociedade civil, do Estado e do mercado para a dimensão política da diversidade cultural, para que haja mais articulação. "A diversidade não é a reafirmação de si, mas sim uma forma de se construir identidades na e pela troca e diálogo intercultural. O lugar é o nós, não o eu", conclui, indicando a experiência do Observatório da Diversidade Cultural como fonte de mais observações.

Penúltima a falar no painel do Confibercom 2011, Margarita Ledo se apresentou em galego e abordou em sua fala o tema diversidade e redes, além da mundialização da economia influencia culturas e pode ser um perigo às línguas. Margarita fez uma análise de oito produtos cinematográficos, e analisou a porcentagem da produção em línguas, mostras surge interesse pela produção galega. A pesquisa desenhada a partir do uso específico da tecnologia com utilização de redes digitais para a distribuição de produtos. "Um projeto de cinema independente depende da compreensão da complexidade e da diversidade da região", disse a pesquisadora que comentou em sua apresentação da produção de cinema dos grupos de secessão associados aos temas das periferias urbanas.

Escalada para falar por último, o cubano Mario Nieves não pôde se apresentar no Congresso por problemas de visto, o que não o impediu de enviar uma carta. Em seu texto, trouxe um amplo referencial histórico sobre a América Latina, trazendo um forte e com amplo apelo do ponto de vista social. "O homem é um animal incerto", disse Nieves, citando o pensador Max Weber, "e na América Latina há estragos como resultado de um processo desencadeado com o peso da civilização da Europa, que invadiu a América". Nieves lembrou que a poesia dos indígenas se perdeu com isso, além das histórias, filosofias, escritas e literaturas.

Por Pedro Ulsen, mestrando do Programa de Ciências da Comunicação da ECA-USP.

Confibercom 2011 realiza I Fórum Iberoamericano de Política Científica e Tecnológica em Comunicação

03/08/2011

03/08 - Escola de Comunicações e Artes, USP

O terceiro dia de atividades do Confibercom 2011 deu continuidade aos debates realizados nos painéis dos dias anteriores e marcou também o início do I Fórum Iberoamericano de Política Científica e Tecnológica em Comunicação. A abertura do dia coube ao pesquisador Miguel de Moragas, da Espanha. A apresentação didática e bem pontuada sobre grandes temas do congresso tratou de modelos transdisciplinares como necessários para a compreensão do mundo contemporâneo.

"A comunicação é um campo de estudos e de atuação também, por isso são necessários mecanismos de avaliação multidisciplinares dentro de uma lógica de cooperação, para que haja uma contraposição às grandes influências", disse Moragas. O pesquisador espanhol ainda disse que os temas da América Latina, sobretudo as experiências de Brasil, México e Argentina estão sendo mais observadas no momento. "A América nos ensina muito, inclusive a não nos atermos a influência hegemônica", disse. Morgagas também sugeriu que a Confibercom seja um espaço de cooperação para a produção de documentos de investigação sólidos para os pesquisadores de comunicação.

A mesma apresentação contou com a fala de Moisés Lemos Martins, pesquisador de Portugal, que trouxe para a discussão três documentos para falar de política científica: o International Social Science Council da UNESCO, o Livro Verde que estabelece o quadro estratégico comum de financiamento e inovação da Europa, e informações do Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades de Portugal.

Martins discorreu sobre oportunidades e virtualidades da área de Comunicação e lembrou do conselho oficial com tutela para a ciência para a pesquisa. "No mercado globalizado, complexo, não podemos deixar de ser competitivos", disse, complementando que os blocos de interesse ibero-americano devem considerar a internacionalização, o pluralismo e a pluridisciplinaridade.

Em sequencia à discussão de mais este painel do Confibercom 2011, Lucia Castellon contribuiu com informações do Chile. Ela tem atuado na Comissão de Divulgação Científica do Chile, o que significa o desenvolvimento de vários programas institucionais associados inclusive ao ao capital humano. "Um dos focos de nosso trabalho é a tecnologia, vista como um dos focos de investimentos em pesquisa por parte do governo", disse. Lucia ainda abordou o uso da tecnologia por parte dos jovens e sugeriu que tais habilidades podem ser eventualmente muito úteis para a articulação com a cultura.

I Fórum Iberoamericano de Política Científica e Tecnológica em Comunicação. 03/08 - Escola de Comunicações e Artes, USP

Se a apresentação da chilena Lucia trouxe um foco sobre os programas de desenvolvimento científico, a apresentação do seu colega de mesa, o brasileiro Luiz Prado, da PUC-SP e do CNPq foi direcionado a ter uma abordagem mais histórica sobre os programas de pós-graduação no Brasil. Prado citou por exemplo que no ano de 2000 haviam apenas 15 programas da área de Comunicação, número atualizado para 40 em 2011, inseridos em 4.790 programas de pós-graduação em todo o Brasil.

"No Brasil a evolução é clara e há uma concentração nos estudos midiáticos principalmente", disse. Outra constatação do pesquisador é que 50% dos programas citados está na região sudeste do país, e que os investimentos também devem ser ampliados por conta da elevada quantidade de produção já existente.

Sobre o quesito produtividade, exigência cada vez maior da CAPES, Prado pontuou que "hoje não é preciso mais preocupação com a produtividade dos pesquisadores, mas como evitar que o quantitativo se sobreponha ao qualitativo é a grande questão de hoje".

E foi para encerrar a mesa que mais um pesquisador brasileiro de destaque foi convidado para o Confibercom 2011. Norval Baitello Júnior é o coordenador da área de comunicação da FAPESP, cargo que ocupa há quatro anos. Norval considera que a expansão da área de investigação da comunicação é nítida e que nos últimos quatro anos pôde presenciar movimento particulares e curiosos. "Houve um enorme aumento de pedidos de financiamento de pesquisa para pesquisadores brasileiros no exterior, além de mais apoio a visitantes estrangeiros no Brasil", disse.

Norval comentou ainda que há mais recentemente um interesse da FAPESP em financiar a tradução de livros de pesquisadores paulistas quando há editoras interessadas fora do Brasil, e lembrou a todos que há poucos projetos temáticos que podem ser financiados, e de pós-doutorado. "Ultimamente tenho observado uma abertura pluridisciplinar, com a expansão da área de audiovisual, das novas tecnologias e pesquisas de interface com a antropologia e a filosofia da comunicação", finalizou.

Por Pedro Ulsen, mestrando do Programa de Ciências da Comunicação da ECA-USP.

Segunda mesa do Fórum propõe a ampliação do conhecimento em Comunicação

03/08/2011

I Fórum Iberoamericano de Política Científica e Tecnológica em Comunicação. 03/08 - Escola de Comunicações e Artes, USP

Ainda na manhã do dia 3 de agosto o I Fórum Iberoamericano de Política Científica e Tecnológica em Comunicação reuniu pesquisadores de diferentes países para compor a mesa "Construção do Espaço Iberoamericano de Conhecimento Científico em Comunicação".

Luis Albornoz, presidente da União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura, foi o primeiro dos expositores e contribuiu propondo que o público pensasse um pouco também nos atores que estão trabalhando no tema. Para isso expôs o que considerou como linhas estratégicas a docência de qualidade, a atividade investigadora e a projeção internacional.

Albornoz lembrou da visita que realizou em março deste ano à universidades e agências de fomento do Brasil como parte de uma comitiva de quatro universidades espanholas. "Fiquei impressionado com a magnitude e a qualidade das instituições visitadas no Brasil", disse.

Segundo pesquisador espanhol é crescente e altamente relevante a alta necessidade de internacionalização das universidades iberoamericanas no momento e as parcerias em pesquisa devem ser ampliadas. "Temos que ter uma política a respeito da relação da Espanha especificamente com o Brasil", disse.

Francisco Caballero, também vindo da Espanha, falou como pesquisador da Universidade de Sevilha e vice-presidente da Confibercom. Muito objetivo em sua exposição, Caballero propôs que a discussão sobre o conhecimento científico em comunicação na iberoamerica seja orientada por alguns objetivos claros: a representação diante dos grupos políticos, a cooperação flexível com respeito às culturas, e a definição do tipo de estrutura utilizada.

A partir daí o pesquisador espanhol considerou importante o desenvolvimento de um plano estratégico, de um plano de cultura de formação e a definição de indicadores e linhas estratégicas para o desenvolvimento científico. "Temos que fazer estudos comparativos, e sistematizar de modo eficiente nossas estratégias para conseguir essa visibilidade e criar redes", defendeu.

Realizando um discurso semelhante ao apresentado por Francisco Caballero, Luis Humberto Marcos, secretário geral da ASSIBERCOM, fez inicialmente um resgate histórico das relações entre os países iberoamericanos para depois abordar o congresso em si. Luis pontuou que até há pouco tempo só haviam as trocas comerciais entre os países da iberoamerica, e que a busca de internacionalização é recente nesse movimento. No que se refere aos eventos de discussão sobre políticas científicas, Luis lembrou da necessidade de envolvimento e presença de mais jornalistas. "Precisamos comunicar ao mundo que há um congresso mundial em realização aqui", disse.

Com objetivos semelhantes Margarita Ledo expôs sua apresentação. Ela, que é vice-presidente da Associação Espanhol de Investigadores da Comunicação e professora da Universidade Santiago de Compostela, lembrou da importância que se percebe atualmente nos contatos estabelecidos com o Brasil para o estabelecimento de alguns programas de pesquisa, e que isso significa um uso mais amplo da própria comunicação, além da sua dimensão instrumental. "O Estado paga e as empresas usufruem pois as empresas investem muito pouco em pesquisa", disse.

Para encerrar os debates do período da manhã deste terceiro dia de painéis do Confibercom 2011 a mesa recebeu as considerações de Martin Becerra, membro titular da Comissão Assessora de Sociologia e Demografia do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina. Entre outros assuntos Martin lembrou a todos que há algumas discussões muito contemporâneas a respeito das discussões sobre divulgação científica, entre elas a necessidade de mensurar o retorno das pesquisas, a busca por maior quantidade de recursos e a vocação de uma visão interdisciplinar. "Há razões pedagógicas e consistentes para a nossa visão crítica da comunicação", disse.Por Pedro Ulsen, mestrando do Programa de Ciências da Comunicação da ECA-USP.

Informes do Confibercom 2011 reforçam necessidade de cooperação internacional

04/08/2011

Lívio Amaral, I Fórum Ibero-americano de Pós-Graduação em Comunicação. 04/08 - ECA-USP

O quarto e último dia do Confibercom 2011 ofereceu aos participantes o I Fórum Iberoamericano de Pós-Graduação em Comunicação, estruturado para criar mecanismos de cooperação entre os programas de pós-graduação desta região. Foi por conta disso que a organização do evento preparou os informes dos países que compõem a Iberoamérica.

O início da solenidade de abertura coube ao Diretor de Avaliação da CAPES, Livio Amaral, que abordou justamente os sistemas de indicadores de qualidade dos programas de pós-graduação brasileiros. Livio comentou que a avaliação dos programas é complexa, realizada a cada três anos e que procura se pautar, o tanto quanto possível, por indicadores comuns. "De A a Z avaliamos todos os programas, em uma mesma sistemática todos os cursos de pós-graduação, em um mesmo momento", disse.

A mais recente delas foi realizada em 2010, tarefa que envolveu 900 avaliadores em todo o Brasil. "O resultado é uma nota ao final que simboliza o grau de maturidade da atividade e a qualidade do programa de pós-graduação no sentido de estabelecer algumas políticas de orientação da pós-graduação brasileira", disse.

Para oferecer mais conteúdo aos participantes, além do sistema de avaliação, Livio Amaral abordou também os eixos do Plano Nacional de Pós-Graduação 2011-2020, que está estruturado nas seguintes bases: expansão dos sistemas, criação de uma agenda nacional de pesquisa, desenvolvimento da interdisciplinaridade e apoio a outros níveis de ensino.

A respeito dos investimentos nos programas de pós-graduação o Diretor de Avaliação da CAPES indicou que para 2011 o valor de que dispõe a instituição é de R$ 3,1 bi, direcionadas principalmente para bolsas (70% do total), portal de periódicos (5%) e outros fins. "Posso dizer que trinta mil periódicos podem ser acessados e que tivemos sessenta e sete milhões de acessos ao portal em 2010, metade deles com download de conteúdo", disse.

Informes

I Fórum Ibero-americano de Pós-Graduação em Comunicação. 04/08 - ECA-USP

Para aproximar os pesquisadores presentes, antes da elaboração das propostas de cooperação, os informes foram apresentados ainda no período da manhã. A apresentação referente ao México, América Central e Caribe tratou de abordar a necessidade fundamental de se desenvolverem sistemas de informação com abertura do acesso ao público pela Internet.

O trabalho de campo para o estabelecimento de marcas estruturais da comunicação de todos os países foi mais uma sugestão, necessária para a preservação da heterogeneidade presente nos diferentes países. "Todos os países têm programas de apoio para a formação de pós-graduação e as agências de avaliação assumem importante papel para qualificação da pós-graduação", disse a equipe dos informes desta região.

Falando pela América do Sul (excetuando o Brasil), Gustavo Cimadevilla, integrante da ALAIC, iniciou sua fala pela constatação de heterogeneidades entrelaçadas. Segundo o pesquisador há na região 107 programas de mestrado, com divisões entre público e privado. "O destaque fica por conta do Uruguai, que não tem universidade pública com pós-graduação em comunicação", disse. Além da apresentação de alguns dados, Cimadevilla lembrou da necessidade de se reconhecer as trajetórias próprias de cada país para que os acordos sejam estabelecidos de modo mais igualitário.

Pelo Brasil falou a professora e pesquisadora Maria Immacolata Vassalo de Lopes, docente da ECA-USP e integrante de diversas associações de comunicação. Immacolata lembrou aos presentes que em 1967 foi oferecida ao público a primeira graduação em comunicação, sendo que a ECA passou a oferecer mestrado em 1972 e doutorado em 1980. "Na última década houve um crescimento da graduação no Brasil com presença majoritária das universidades particulares. Na pós-graduação a situação é exatamente a oposta, e está majoritariamente nas universidades públicas", ponderou.

Immacolata lembrou ainda que há na pós-graduação brasileira em comunicação projeções ambiciosas associadas à expansão ordenada, com uma forte articulação entre ensino e pesquisa, relacionadas na produção científica funcional e na experiência funcional. "A avaliação teve início em 1976, consolidou-se na década de 1980 e estabeleceu um padrão mínimo de qualidade nos programas", disse. Sobre números, a pesquisadora da ECA-USP indicou que no Brasil há no momento 40 programas de pós graduação, 27 deles em instituições públicas e 13 em particulares. Além disso, em 2009 haviam aproximadamente 500 docentes nestes programas.

A pesquisadora lembrou ainda do importante tema internacionalização, que entra na agenda das universidades como estratégico como inserção internacional de todo o país e como sugestões indicou a necessidade de maior apoio, os estímulos para as publicações, e a maior conscientização da instituições sobre a importância da cooperação internacional.

Falando pela Espanha, Moises Lemos trouxe como contribuição o cenário de renovação absoluta do modelo universitário espanhol, desenvolvido em um momento de grave crise econômica, com avaliação de novos modelos pedagógicos. "Estamos absolutamente imersos na cultura de avaliação", disse.

Moisés Lemos, I Fórum Ibero-americano de Pós-Graduação em Comunicação. 04/08 - ECA-USP

Segundo o pesquisador o contexto espanhol é o de esforço, mobilidade, empregabilidade, investigação em comunicação por um imenso aumento da institucionalização da atividade de pesquisadores. "Estamos discutindo formas progressivas de intercâmbio com incremento de convênios e programas de mobilidade", disse.

Por fim o último informe do dia foi realizado pelo professor Moisés Lemos, falando por Portugal, que tratou do caso português na pós-graduação em comunicação. Segundo Lemos Portugal possui no momento 90 cursos de pós-graduação, sendo 12 de doutorado, e a avaliação ainda não está presente enquanto instrumento governamental. "Não fizemos ainda o trabalho do Brasil", disse, referindo-se ao sistema de avaliação da CAPES.

Lemos lembrou da falta de precisão das agencias de avaliação, criadas em 2007, e reafirmou o que disse anteriormente destacando que "não há experiência de avaliação da pós-graduação em Portugal. O que há é avaliação da graduação", afirmou. Ele lembrou ainda que em 2011 há no caso português 99 cursos de pós-graduação em comunicação, sendo 75 mestrado e 12 de doutorado, o que soma cerca de três mil alunos.

Focado em destacar as necessidades de desenvolvimento dos programas portugueses, Lemos citou ainda como debilidades a massificação dos programas sem reforço dos recursos humanos, a fraca internacionalização, a falta de apoio das instituições, a rentabilização insuficiente e o excesso de burocracia. Por outro lado temos como potencialidades a interdisciplinaridade, a diversidade dos cursos e a flexibilização da modalidade internacional", disse.

Por Pedro Ulsen, mestrando do Programa de Ciências da Comunicação da ECA-USP.

CONFIBERCOM
1º Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana

De 31 de julho a 4 de Agosto de 2011